Domingo, 12 de Fevereiro de 2012

Viva, após as discussões da aula de 6ª feira, alguns temas ficaram a borbulhar nas nossas cabeças. Um desses temas é "jogos". Nesse sentido trazemo-vos um vídeo de James Gee, talvez já conhecido por alguns de vós, sobre jogos e educação.

Teoria de aprendizagem imbuída nos jogos digitais como paradigma de uma forma de aprender que rivaliza e coloca em questão as práticas predominantes em educação. A avaliação como uma questão central.

 A questão que vos deixamos é a seguinte:

Jogar: uma nova forma de aprender e uma nova deriva no processo de avaliação?

  

 




17 comentários:
De jesus-anabela a 13 de Fevereiro de 2012 às 21:42
John Seely Brown propõe uma tríade epistemológica para caracterizar a era digital. A noção do conhecimento não só como o saber "knowing" como também o fazer "making" e o experienciar ativamente "playing". Em traços largos poder-se-ia dizer do conhecimento centrado apenas na mente ao conhecimento procedimental e performativo. Que papel terão as tecnologias digitais para este alargamento do que se entende por conhecimento?


De regina-canelas a 13 de Fevereiro de 2012 às 23:29
Viva!

Ainda a propósito do tema abordado no vídeo, através das pesquisas afetuadas, encontrei esta citação que vem ao encontro do que alguns dos autores mencionados na sessão presencial acreditam:

Cognitive tools aid students in performing conceptual operations
otherwise beyond their abilities. Learners become better, more independent thinkers when using effective cognitive tools, inasmuch as cognitive tools promote and cultivate higher order thinking skills
(Salomon, 1993).

No entanto, mantém-se a questão inicial: poderão as tecnologias ser incluídas nestas ferramentas cognitivas?


De carlaponte a 13 de Fevereiro de 2012 às 23:52
Olá Paulo ,

considero o vídeo interessante, mas, curiosamente, mais do que entusiasmar-me pela análise do uso ou não dos jogos em contexto educativo, eu fiquei "presa" à questão levantada por J.P. Gee relativamente à avaliação. De facto, se continuamos a ter, de uma forma geral, um ensino e aprendizagem com determinadas características mais formais e cognitivistas, isso deve-se à forma como se pretende fazer a avaliação dos alunos no final. Por outras palavras, e retomando a ideia defendida por Gee, se queremos mudar o processo de ensino e aprendizagem teremos , em primeiro lugar, mudar a forma como avaliamos os alunos, pois só assim se encetam as verdadeiras mudanças. Estabelecendo aqui uma ponte com a pertinência ou não do uso de jogos em contexto educativo, eu respondo com outra pergunta: que tipo de avaliação deve ser seguida num contexto educativo que integre o recurso a jogos (virtuais, educativos, "sérios") e em que predomine a abordagem da resolução de problemas?


De Anónimo a 14 de Fevereiro de 2012 às 09:22
Bom dia!
Concordo com o autor quando afirma que o jogo funciona ao nível conceptual como um sistema de resolução de problemas, no qual o utilizador precisa de manipular um conjunto maior ou menor de variáveis. Esta perspetiva no ensino das Ciências é extremamente útil, especialmente, porque na sua base metodológica estão atividades experimentais com vista à resolução de problemas. Até aqui, fantástico! Há contudo reticências que eu gostaria de levantar à utilização do jogo em contextos de ensino formais. Para mim o jogo, em si, encerra uma forte carga lúdica e nem todos os jogos agradam a toda a gente. No caso concreto da Ensino da Biologia e Geologia há pouco jogos e os poucos que encontrei, até agora, são tão simplistas e redutores que prefiro diversificar usando outras ferramentas.
O autor integra o conceito de avaliação, afirmando que o problema do conceito "escola tradicional" assenta no seu sistema de avaliação! Todos sabemos que está direcionado para a classificação individual e para a medição de resultados no final de um período de tempo. Este sistema de avaliação não está concebido para a criatividade, colaboração, metaprendizagem ou para que os alunos saibam resolver problemas do dia-a-dia. Além disso, não está concebido nem para a transparência, nem para validade dos instrumentos nem para a sua fiabilidade. Basta estarmos atentos, ao caso dos Exames Nacionais e às polémicas levantadas com os critérios de correção de alguns exames...
O sistema está concebido numa visão muito "darwinista" de luta pela sobrevivência, em que os produtos da seleção natural, produzida pelos exames e testes finais, são os alunos com boas notas.
Mas aqui eu levanto outra questão: os jogos são criados por pessoas, certo? Não estarão muito jogos, em si, carregados de mensagens que veiculam a ideia de que é bem sucedido quem "mata mais", "quem arrecada mais", "quem obtém mais"? Isto também não é uma visão muito darwinista da realidade?...


De Anónimo a 14 de Fevereiro de 2012 às 10:52
Bom dia,

Antes de mais Carla, no próprio jogo já está a avaliação, o conseguir atingir mais objetivos, ou em menos tempo, ou outras situações dependendo do jogo. O jogo vem já construído de forma a avaliar o procedimento de cada jogador.
Quando coloquei este vídeo não foi no sentido de dizer que devemos utilizar jogos, aliás, o desafio é apenas questionarmo-nos, sobre a utilização dos jogos, mas também sobre as questões da avaliação que tu muito bem mencionaste. O ensino da forma que está estruturado, em que agrupamos as crianças pelas idades, em que todos fazem os mesmos testes, em que todos são avaliados da mesma forma pode estar a limitar o seu desenvolvimento. Está mais do que estudado que os indivíduos são diferentes uns dos outros e aprendem de forma diferente, a avaliação meramente sumativa (se as quisermos separar) não respeita aspetos que o Rui identificou como a criatividade, a colaboração e a metaprendizagem.
Rui, apenas uma sugestão, ao nível de jogos não conheço, mas já experimentaste o Second Life? Reconheço-lhe alguns problemas pois as crianças tendem a dispersar-se, mas podia ser uma ferramenta interessante para os "levares" a outros espaços em que fisicamente isso não é possível, nomeadamente oceanos, jardins, montanhas, vulcões, etc.


De paulo-duarte a 14 de Fevereiro de 2012 às 11:24
O comentário anterior é meu. Não sei porque apareceu anónimo, eu estava identificado.


De Rui Soares a 14 de Fevereiro de 2012 às 19:58
o meu é anterior e tem a palavvra "darwinista"... :)


De Rui Soares a 14 de Fevereiro de 2012 às 19:57
Eu também apareci anónimo...


De lpedro a 14 de Fevereiro de 2012 às 22:56
A discussão está interessante :-)
Depois de ver o vídeo, destaco 2 questões que me chamaram particularmente a atenção:
- a questão de um sistema educativo fora das escolas que não é necessariamente estruturado mas que incorpora oportunidades contextualizadas/situadas de aprendizagem.
- a questão da avaliação.
E como esta é uma das minhas tarefas, quanto ao 1º aspeto este livro de Kieran Egan - http://www.amazon.com/Future-Education-Reimagining-Schools-Ground/dp/0300110464 - é fundamental e quanto ao segundo, este post - http://www.connectivism.ca/?p=220 - do George Siemens é muito interessante!
Boas discussões e boas leituras!


De jesus-anabela a 15 de Fevereiro de 2012 às 22:24
Olá!

Não conheço este livro de Egan, li apenas algum do seu trabalho anterior e uma pequena resenha deste livro em destaque e de facto a discussão atual à volta da oposição entre os conceitos de competências / conhecimentos, na minha opinião ilustra com toda a clareza um dos pontos principais da argumentação do autor, isto é a falta de foco no que é essencial. È essencial o estímulo para que os alunos e professores se envolvam no processo de aprendizagem e, pergunta-se, poderão as tecnologias digitais dar o seu contributo para tal?


De jesus-anabela a 15 de Fevereiro de 2012 às 22:44
Relativamente à problemática da avaliação a dimensão do processo continua a ser descurada. Tanto no que diz respeito às estratégias metacognitivas como em termos do que é suposto ser objeto de avaliação. Os produtos finais são sobretudo o que se avalia e para o qual se trabalha.
E faço minhas as palavras de alguém que comentou o post em questão: no nosso ensino básico o processo de aprendizagem em debate é apenas uma miragem.


De fpcr a 15 de Fevereiro de 2012 às 23:55
Qual é o papel de um professor? Penso que é interessante o pensamento de que o professor oferece uma narrativa de coerência de uma determinada disciplina (é fundamental para os saberes fazerem sentido aos olhos do estudante). No entanto, como diz o texto de Siemens sugerido (e muito pertinente), este modelo funciona bem quando podemos centralizar o conteúdo (como o currículo) no professor. O modelo cai por terra quando se distribui o conteúdo e se ampliam as atividades do professor, para incluir entradas múltiplas: as redes sociais e tecnológicas subvertem o papel do professor. Para os educadores, o controle está a ser substituído por influência. Em vez de controlar uma sala de aula, um professor agora influencia ou molda uma rede. Nas redes, os professores são um nó entre muitos outros, provavelmente, um dos nós mais proeminentes na rede de um estudante, um provedor (cito).
Por outro lado as aprendizagens em contexto não formal, fora das escolas, assumem cada vez mais relevância. Não tenho dúvidas que já existem evidências entre nós de que algo está a acontecer neste sentido, mas ainda há um longo caminho a percorrer (mais no ensino básico). Penso também que são realidades que dependem muito de contextos específicos onde a escola se insere e da influência (reciproca) da e na comunidade. Também neste aspeto não podemos generalizar.
Relativamente à avaliação, é fundamental (obviamente), mas é importante saber bem de antemão qual o seu objetivo e o que se avalia, ou seja “o quê” e “para quê, para que serve”. Dar mais importância ao processo ou ao produto? Quando entramos na resposta a estas questões as coisas nem sempre evidentes.


De jesus-anabela a 16 de Fevereiro de 2012 às 13:28
Olá!

As alterações ao papel do professor são o mote do artigo de Siemens e julgo que é generalizada a percepção de que mudanças são indispensáveis. E quanto ao papel do aluno? talvez uma zona de discussão menos comum, no entanto igualmente imprescindível.
Ainda a propósito do livro de Egan. O autor acentua a importância do que ele designa por ferramentas cognitivas. Mas este conceito é tratado numa abordagem que segue o desenvolvimento da humanidade. No entanto Jonassen, por exemplo, apresenta a mesma designação para se referir às potencialidades cognitivas do computador, indicando este como uma ferramenta cognitiva. Caso para perguntar o que deve ser considerado uma ferramenta cognitiva?


De aldinacrodrigues a 16 de Fevereiro de 2012 às 21:34
Olá!

Face ao apresentado, sem dúvida no sistema educativo atual, é muito importante salientar de que é importante para nós professores compreender que é necessário encontrar soluções para o sucesso escolar dos alunos nas disciplinas que lecionamos. Torna-se necessário cada vez mais o recurso a ferramentas cognitivas para assim atingir o pretendido, não esquecendo que para que o aluno concretize as suas aprendizagens, o professor terá de utilizar situações contextualizadas que envolvam a realidade do aluno e do ambiente onde se encontra inserido. Hoje em dia nas nossa escolas, na sala de aula temos alunos cada vez mais heterogéneos, com realidades culturais muito diversificadas e para que o professor consiga que o aluno vivencie o ensino da sua disciplina é necessário cativá-lo com realidades próximas das dele. Se os alunos não realizam atividades que eles gostam não aderem e não fazem porque não são do seu interesse. Provavelmente não pertencem às suas redes sociais.
Relativamente à outra sugestão de leitura que o professor sugeriu, na minha opinião é interessante e também e saliento também a importância do papel do professor, o tal papel orientador, o professor que fornece a informação, que questiona os seus alunos, que reconhece a autonomia dos alunos, mas que reconhece que não é fácil explorar tarefas desconhecidas na parte da implementação junto dos seus alunos. E portanto concordo com a ideia central de que é ao professor que compete criar espaços e oportunidades de ser o próprio aluno a construir o seu conhecimento, a explorar situações apresentadas pelo professor e permitir que ele próprio realize conexões e articulações desse conhecimento que vão reconstruindo. Concordo também com a ideia de que para aprender é necessário explorar e refletir.
Na minha opinião, uma vez mais foi interessante esta discussão referente ao aprender em redes sociais e tenológicas e os dois links que o professor nos deu a conhecer. Na minha perspetiva muito utéis para a nossa atividade profissional e que também nos ajuda a refletir enquanto profissionais.


De aldinacrodrigues a 16 de Fevereiro de 2012 às 21:45
Olá!
Sim, concordo que jogar é uma das formas de aprender. Na minha dsiciplina, a Matemática já não a considero nova porque o aluno já está habituado a este tipo de metodologia de ensino da Matemática mas que considero como profissional nesta área que o aluno aprende, é verdade. Por exemplo para promover o cálculo mental: jogo do supertmatik com operações matemáticas e outros jogos matemáticos.
O aluno aprende conceitos matemáticos epor outro lado desenvolve competências matemáticas de raciocínio matemático, por exemplo.
Uma nova deriva no processo de avaliação, penso que sim, até porque ao propor este tipo de atividade já é comtemplado pelos menos na disciplina de matemática nos critérios de avaliação. Os alunos já participam em campeonatos de jogos matemáticos.


De fpcr a 16 de Fevereiro de 2012 às 23:42
Julgo que a ideia de aprender pelo jogar já esteve mais na moda do que agora nas nossas escolas, uma vez que tem sido conotada com o brincar. No entanto, verificamos que quase todos os pedagogos defendem a importância do jogo na aprendizagem, mas essa importância vai diminuindo com o avançar da escolaridade. Reconheço que é importante quer como treino de competências, quer como mecanismo de simulação de situações reais, facilitador de aprendizagens, etc. A questão é saber até que ponto o lúdico se sobrepõe à aprendizagem e qual o tempo despendido para atingir um determinado conteúdo. Mas também é importante saber quais as áreas que estão implicadas quando se fala em aprendizagem com os jogos, hoje, que competências sociais se desenvolvem? Que vantagens têm as aprendizagens vinculadas pelos jogos para a vida prática do futuro cidadão? Que potencial transformador têm os jogos para quem os joga e para o seu grupo de pertença ? O que avaliar e como, na acção de jogar? Destrezas, raciocínio lógico, controlo emocional,...?
Acho interessante encarar as atividades como algo com o espírito de um jogo (com os valores de competição, rapidez, agilidade, eficácia, precisão, persistência, respeito pelo outro, etc) mais do que a atividade do jogo pelo jogo (distração, alienação, repetição de gestos, mecanização de comportamentos,etc) com pouco ou nenhum valor acrescentado. E qual o papel do professor neste processo? Que jogos escolher/indicar, sabendo nós que os mais interessantes nem sempre são os mais "educativos"?


De fpcr a 17 de Fevereiro de 2012 às 00:01
Esqueci-me de dizer que os jogos são fundamentais em todas as áreas. Quanto ao ensino para a criatividade, a escola não está orientada para o seu desenvolvimento, atrevo-me até a pensar que vai no sentido da sua diminução, pois paulatinamente assistimos à valorização de atividades de pensamento único, de transmissão, de não questionamento. Dou o exemplo das provas e exames em que, frequentemente, as palavras cria, inventa, propõe, imagina, etc (que remetem para o ato de criar) são preteridas para outras como descreve, relata, narra, analisa...(que são essencialmente de cariz reprodutor).talvez sejam mais cómodas quando chega a hora de avaliar/classificar). Enfim, é preciso primeiro saber para onde queremos ir e depois como lá chegar.


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