O último vídeo que o grupo 2 aqui publica para discussão fala de uma temática polémica, no entanto, cada vez mais relevante - plágio. Tal como os alunos entrevistados indicam, a informação ao dispor dos nossos alunos na rede é tanta que se torna difícil resistir à tentação. Outra das razões apontadas pelos alunos para plagiar prende-se com o facto de não terem confiança nas suas próprias capacidades e por ser mais fácil (novamente, a ideia do facilitismo) obter melhores notas desta forma. Um dos alunos relembra que, atualmente, há uma imensidão de fontes de informação e tal facto dificulta todo o processo. Daí, por vezes, o plágio nem sequer é intencional. Da visualização do vídeo surgiu-nos de imediato uma questão: "Que estratégias têm posto em ação para limitar o plágio dos vossos alunos?"
Todavia, a questão mais importante, para o caso, está relacionada com as repercussões do plágio na aprendizagem e nas competências cognitivas dos nossos alunos. Deixamos aqui duas citações dos alunos que nos parecem interessantes:
“The repercussions are really, really harsh; it’s just not worth it.” “It’s very important to create our thinking, our own paper. If we just copy and paste, we study nothing.”
Concordo em absoluto, é uma temática muito interessante e também polémica. Alguns autores (entre os quais Andrew Keen, que abordámos na sessão presencial) têm uma linha de raciocínio relativamente a esta questão que também considero interessante e polémica: se a Web 2.0 se caracteriza, sobretudo, pela atividade de remix, ao privilegiar estas ferramentas não estaremos a "matar" a criatividade e inovação, fomentando uma atitude que quando não é de plágio anda lá muito perto? Comentários contra a favor são bem-vindos :-)
De facto, se nos centrarmos sobretudo no "mashup" que é feito com tudo o que está disponível na Web 2.0, podemos antever rapidamente posições de argumentação negativa, em que se condena uma dada falta de estímulo à competência criativa, pois estar-se-ia a percorrer um caminho circular (o tal "loop-based thinking" que já tive oportunidade de referir no início deste post), que não deixaria margem para novos olhares e novas "questões"... por outro lado, este conceito de "reciclagem" de informação acaba por não estar muito longe do que já tem sido implementado a outros níveis e parece acolher, pelo menos numa perspetiva inicial, adeptos. A questão que se coloca é se a "roupagem" ao ser mudada, significa por si só a transformação numa nova peça original, com características novas ou se não estará, logo à partida, condenada por não ir mais além, desgarrando-se de tecidos já usados, padrões já vistos e cortes já formatados para um determinado corpo? No fundo, o que se passa é que estamos perante "corpos" diferentes, que deixaram de se vestir com os tecidos e padrões conhecidos até então porque deixaram de os "proteger" no contexto em que vivem... toda aquela "roupagem" reciclada deixa de ter, supostamente, sentido para corpos com necessidades e contextos diferentes. Urge a criação de novos materiais, novos formatos e padrões. Há que criar e não recriar, produzir e não reproduzir. Por outro lado, toda a nossa história mundial e descobertas científicas se pautaram pelo conceito da "reciclagem" de teorias, da aplicação de estudos já feitos a novas situações..."Nada se perde-tudo se transforma" diria um cientista famoso. Ninguém fica indiferente a uma imagem construída a partir de milhares de pequenas fotos já usadas e que, no seu todo, formam um belo mosaico artístico, criando com isso uma obra diferente, individual e, por isso também, única. Contudo, e assumo estar aqui a baralhar um pouco o raciocínio, há momentos em que o mundo precisa de cortar o cordão umbilical com o que o liga à tradição, ao supostamente inquestionável. Não fosse assim ainda estaríamos em plena era ptolomaica, fazendo crer aos nossos alunos que a terra está no centro do universo. Findo estas considerações, surge-me uma questão: não estaremos nós a atravessar uma mesma época de cisões e ruturas com o que está estabelecido e , tal como com Copérnico, não será agora necessário um novo olhar para o mundo, com inovação de estratégias e, sobretudo, criação de novos paradigmas?