Domingo, 19 de Fevereiro de 2012

Viva!


O último vídeo que o grupo 2 aqui publica para discussão fala de uma temática polémica, no entanto, cada vez mais relevante - plágio. Tal como os alunos entrevistados indicam, a informação ao dispor dos nossos alunos na rede é tanta que se torna difícil resistir à tentação. Outra das razões apontadas pelos alunos para plagiar prende-se com o facto de não terem confiança nas suas próprias capacidades e por ser mais fácil (novamente, a ideia do facilitismo) obter melhores notas desta forma. Um dos alunos relembra que, atualmente, há uma imensidão de fontes de informação e tal facto dificulta todo o processo. Daí, por vezes, o plágio nem sequer é intencional. Da visualização do vídeo surgiu-nos de imediato uma questão: "Que estratégias têm posto em ação para limitar o plágio dos vossos alunos?"


Todavia, a questão mais importante, para o caso, está relacionada com as repercussões do plágio na aprendizagem e nas competências cognitivas dos nossos alunos. Deixamos aqui duas citações dos alunos que nos parecem interessantes:

“The repercussions are really, really harsh; it’s just not worth it.”
“It’s very important to create our thinking, our own paper. If we just copy and paste, we study nothing.”

 

 




11 comentários:
De lpedro a 21 de Fevereiro de 2012 às 14:41
Concordo em absoluto, é uma temática muito interessante e também polémica. Alguns autores (entre os quais Andrew Keen, que abordámos na sessão presencial) têm uma linha de raciocínio relativamente a esta questão que também considero interessante e polémica: se a Web 2.0 se caracteriza, sobretudo, pela atividade de remix, ao privilegiar estas ferramentas não estaremos a "matar" a criatividade e inovação, fomentando uma atitude que quando não é de plágio anda lá muito perto? Comentários contra a favor são bem-vindos :-)


De carlaponte a 22 de Fevereiro de 2012 às 01:20
De facto, se nos centrarmos sobretudo no "mashup" que é feito com tudo o que está disponível na Web 2.0, podemos antever rapidamente posições de argumentação negativa, em que se condena uma dada falta de estímulo à competência criativa, pois estar-se-ia a percorrer um caminho circular (o tal "loop-based thinking" que já tive oportunidade de referir no início deste post), que não deixaria margem para novos olhares e novas "questões"... por outro lado, este conceito de "reciclagem" de informação acaba por não estar muito longe do que já tem sido implementado a outros níveis e parece acolher, pelo menos numa perspetiva inicial, adeptos. A questão que se coloca é se a "roupagem" ao ser mudada, significa por si só a transformação numa nova peça original, com características novas ou se não estará, logo à partida, condenada por não ir mais além, desgarrando-se de tecidos já usados, padrões já vistos e cortes já formatados para um determinado corpo? No fundo, o que se passa é que estamos perante "corpos" diferentes, que deixaram de se vestir com os tecidos e padrões conhecidos até então porque deixaram de os "proteger" no contexto em que vivem... toda aquela "roupagem" reciclada deixa de ter, supostamente, sentido para corpos com necessidades e contextos diferentes. Urge a criação de novos materiais, novos formatos e padrões. Há que criar e não recriar, produzir e não reproduzir.
Por outro lado, toda a nossa história mundial e descobertas científicas se pautaram pelo conceito da "reciclagem" de teorias, da aplicação de estudos já feitos a novas situações..."Nada se perde-tudo se transforma" diria um cientista famoso. Ninguém fica indiferente a uma imagem construída a partir de milhares de pequenas fotos já usadas e que, no seu todo, formam um belo mosaico artístico, criando com isso uma obra diferente, individual e, por isso também, única. Contudo, e assumo estar aqui a baralhar um pouco o raciocínio, há momentos em que o mundo precisa de cortar o cordão umbilical com o que o liga à tradição, ao supostamente inquestionável. Não fosse assim ainda estaríamos em plena era ptolomaica, fazendo crer aos nossos alunos que a terra está no centro do universo. Findo estas considerações, surge-me uma questão: não estaremos nós a atravessar uma mesma época de cisões e ruturas com o que está estabelecido e , tal como com Copérnico, não será agora necessário um novo olhar para o mundo, com inovação de estratégias e, sobretudo, criação de novos paradigmas?


De fpcr a 24 de Fevereiro de 2012 às 22:51
Na minha opinião o plágio existe porque lhe preparamos o terreno para que ele prospere. Pessoalmente quando peço trabalhos de pesquisa limito o número de páginas a 5, ou o tempo do filme por exemplo, no E.Básico, e peço que sejam diretos e sem rodeios, ou seja que se foquem no assunto e tenham estratégia para depois apresentarem o resultado à turma. Costumo dar dois ou três tópicos/questões às quais os alunos devem responder. Muitas vezes peço para dizerem o que pensam sobre...Também já pedi para fazerem um texto escrito à mão, sim à mão, de uma pg A4, por exemplo, com as ideias essenciais sobre um assunto, os "prós e contras de...", etc. A competência da escrita está-se a perder, vejam a letra da maior parte dos alunos e percebem porque digo isto. Por outro lado, o contacto com a folha de papel é algo fundamental, ainda.
Voltando ao assunto, julgo que tirar ideias da net, e não só, pode até ser de uma revista, de um livro (tb é plágio, recordo) e trabalhar sobre elas não é grave desde que se perceba de antemão qual é o objetivo e quais são as regras. Por vezes mudar as coisas de contexto, ampliá-las, conjugá-las, criar metáforas com elas, por exemplo, pode trazer bons resultados a nível de criação. Também penso que nem tudo que se faz tem de ser criativo, há tarefas que são rotineiras mas necessárias, como ir de carro todos os dias para o trabalho, abrir uma torneira, fazer uma "conta", etc. Enfim a tecnologia também serve para isso: facilitar a vida, torná-la mais confortável. Imagine-se o trabalho numa fábrica, se calhar 80% ou mais do trabalho não é criativo, mas tem de ser feito. Aqui o objetivo é ser eficiente. Não vejo mal também em preparar os alunos para serem eficientes, asim como para serem criativos. Uma provocação: se eu quiser uma imagem de forma rápida, e com alguma qualidade gráfica, para colocar na parede de uma sala de Ciências com a informação "extintor + símbolo+ normas de utilização" devo fazê-la à mão com lápis, régua e marcadores ou copiá-la e imprimir?´
Penso que tudo depende do que definimos como essencial. Se é a novidade/originalidade peço que seja feito à mão ou recorrendo à tecnologia mas com um tema, formato, condições pré-definidas, cores, etc.
Lembram-se da angústia da folha A4 em branco porque não sabiam o que fazer lá para a encher? Isso acontecia(acontece) porque não existiam instruções/pistas/temas, ainda que minímos. Todos nós precisamos de balizas, só os fora-de-série é que não. Com a cópia de artigos passa-se algo semelhante porque não há diretrizes específicas (entenda-se a limitar ou a dar liberdade total) (prefiro a definição cópia, pois plágio tem uma conotação mais pesada, exagerada para alunos, imagine-se do 1ºCiclo, do 3º já é diferente).
Se não há novidade é porque ela não é pedida da melhor forma, deve definir-se o que vai ser privilegiado, a imagem, o texto, as ideias, tudo?
Definir isto é relevante até porque depois vai ter de ser avaliado.
Como disse um"sábio", não podes mudar os frutos de uma árvore, mas podes escolher a semente que lanças à terra.
Pode parecer utópico mas é o que a prática me demonstra. Obrigado.


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