Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012

Cabendo ao nosso grupo (1) uma atenção focalizada no papel do professor/formador e nas mudanças que se operam ao nível cognitivo e da sua função pedagógica, propomos agora uma reflexão sobre a forma como se deve integrar e utilizar a tecnologia em contexto de ensino e aprendizagem. No fundo, convidar-vos a juntarem-se a este “emaranhado” interessante de ideias/problemas que este vídeo suscita, tais como:

- que perfil a adotar perante alunos com necessidades tão diversas?

- como orientar os alunos para aprendizagens significativas ?

Parece-nos que uma das soluções passa pela estratégia do “Project-based learning”, a partir do qual se tenta estimular situações reais/simuladas de contextos de aprendizagem de índole construtiva e colaborativa, intra e inter grupos, colocando o aluno/formando no centro do seu processo de aprendizagem.

Isto levanta a questão da concessão de autonomia e liberdade de ação ao aluno mas, por outro lado, preconiza igualmente um perfil do professor muito diferente daquele que se continua a difundir. Mas como formar/atualizar os professores no sentido de assumirem o papel do ”inovador”, “iluminador”, “motivador”, “facilitador”? Que novas competências a adquirir enquanto professor do século XXI?

 



carlaponte às 01:29 |
editado por lpedro em 25/02/2012 às 14:27link do post | comentar
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14 comentários:
De artur-ramisio a 23 de Fevereiro de 2012 às 14:51


De regina-canelas a 25 de Fevereiro de 2012 às 12:33
Concordo contigo, Artur :)


De artur-ramisio a 25 de Fevereiro de 2012 às 17:04
Obrigado, Regina!
É bom constatar que até mesmo no silêncio das palavras há alguém que consegue "ouver" o que pensamos... :-)


De jesus-anabela a 24 de Fevereiro de 2012 às 11:30
Olá!

Aproveito o intervalo...

Julgo que três linhas de orientação são essenciais no exercício da profissão docente:
-Inovação/Criatividade
-Reflexão/Pensamento crítico
-Partilha/Trabalho colaborativo.


De fpcr a 24 de Fevereiro de 2012 às 23:25
Concordo. Já escrevi algo que se adequa num texto colocado dias atrás sobre o tema A FORMAÇÃO DE PROFESSORES, que tem alguns pontos em comum com este.
Pode parecer sem importância mas acho que devemos, os professores, voltar a dar importância à linguagem que usamos e que queremos que os alunos usem e compreendam. Digo isto porque muitíssimas vezes os alunos não compreendem o que lhes é pedido (para além de não serem capazes de distinguir por ex. expõe, descreve, relata, justifica, opina, indica, enumera, compara, etc, etc). o significado das palavras muda, elas não são muito usadas no dia-a-dia, as tecnologias prescindem delas e a situação é também esta. Parece a história do ovo de Colombo.


De Rui Soares a 25 de Fevereiro de 2012 às 01:16
Vou correr o risco de divagar neste comentário, contudo há uma questão fundamental de que nunca se fala e que tem a ver com a visão do que é a aprendizagem. A aprendizagem é, no meu ponto de vista, uma mudança neuronal que ultrapassa o domínio cognitivo. A aprendizagem implica a mobilização de todos os sentidos e uma conceção multidimensional de inteligência. Há alunos que aprendem melhor movendo-se, há alunos que aprendem melhor cantando ou ouvindo música, há alunos que aprendem melhor quantificando, outros escrevendo e outros inter-relacionado-se socialmente. Mas o mais interessante é que os professores, também são seres humanos e os respetivos cérebros providos de plasticidade. Na minha experiência pessoal, tenho descoberto como é divertido em, certos contextos, criar situações em que me envolvo com os alunos em contextos de ensino-aprendizagem, em que todos aprendemos. Talvez o primeiro passo, seja partindo de uma realidade do dia-a-dia (contextualização), o professor encare as suas "fraquezas" como uma mais-valia e um exemplo para os alunos. É bom aprender e ficar espantado com o que se descobre em trabalhos de projeto, articulados, com o núcleo rígido de conceitos exigidos nos programas. O papel inovador terá de ser aquele que rompe com o papel tradicional do professor. O professor atual deverá dominar um conjunto de saberes científicos, tecnológicos e didáticos que lhe permita operacionalizar a relação de ensino-aprendizagem com os alunos. Contudo deverá ter a abertura e a coragem para se envolver num processo colaborativo com os alunos em que possa aprender e cocriar conhecimento com eles. Na Biologia e na Geologia é fácil. Não sei como será noutros campos do saber.


De regina-canelas a 25 de Fevereiro de 2012 às 13:02
O vídeo é, de facto, muito interessante e fez-me lembrar algo que acontece nas minhas aulas. Com muita frequência, verifico que os alunos não sabem utilizar a forma interrogativa em Inglês (acredito que se deve também ao facto de ser mais difícil), porque nunca a usam ou porque não lhes é dada oportunidade para tal. Estão habituados a que seja o professor a colocar todas as questões e quando perguntamos se há questões/dúvidas, raramente há. (Quando também não há respostas, “we have a (huge) problem”). Serve isto para dizer que o questionamento de que o Professor Francislê falava ontem no seminário é deveras importante e enquadra-se na segunda linha de orientação que a Anabela indicou – reflexão/pensamento crítico – para os os professores, mas que, julgo, também podem orientar o trabalho dos nossos alunos. É dever do professor promover o questionamento, a reflexão e o pensamento crítico e profundo na sala de aula, visando alcançar aprendizagens significativas.


De carlaponte a 27 de Fevereiro de 2012 às 00:47
Sem dúvida que as questões abordadas até agora são de interesse e só mostra, na prática, que pensar colaborativamente potencia olhares diferentes embora complementares sobre um mesmo assunto, aguça o faro para problemas de maior profundidade e com isso ajuda a construir conhecimento. Não será isto que todos nós ambicionamos enquanto professores? Ajudar no processo de construção de conhecimento? Neste ponto concordo em pleno com o que o Rui salientou sobre a multimodalidade do ensino e aprendizagem, e as múltiplas inteligências que ativamos aquando de um processo de cognição. Nem todos aprendemos da mesma forma e nem todos lecionamos da mesma forma, mas uma coisa é certa: acredito que uma das formas que mais potencia esse processo de construção de conhecimento e que mais hipóteses dá, aos professores e aos alunos, em desenvolver diferentes ritmos e patamares de aprendizagem eficaz é o recurso ao trabalho de projeto. Só com objetivos bem definidos, áreas delimitadas que se pretendem estudar integradas em contextos/realidades mais abrangentes, fazendo uso de situações simuladas, é que os alunos se sentem com motivação para o estudo e entendem o seu propósito. Explicar aos alunos o porquê de determinados conteúdos e competências através da resolução de problemas ou situações simuladas de contextos reais ajuda-os a entenderem a importância do saber, estudar, investigar, descobrir e criar. Mas isto, claro, exige do professor uma outra função (de instigador, de facilitador, supervisor,etc.) e coloca-nos no epicentro de outra questão , bem mais complexa: como/para quê proceder a uma mudança de paradigma educativo se a avaliação em final de ciclo, nos exames nacionais, nas entradas para as universidades continua a ser feita da mesma forma, se continuam a ser valorizados produtos em detrimento de processos, conteúdos em detrimento de competências? Urge uma mudança de paradigma educativo ao mais alto nível. Eis a questão!


De jesus-anabela a 27 de Fevereiro de 2012 às 18:21
Olá a todos!

Alguém (McWilliam) um dia (2008) escreveu algo que sintetiza com clareza um caminho que julgo ser de trilhar "dar voz aos alunos". Ou por outras palavras, criar condições para que estes se apropriem do seu processo de aprendizagem...aparentemente tão simples, o ideal da personalização da aprendizagem.


De lpedro a 27 de Fevereiro de 2012 às 23:42
Pois...
Então é assim: há um problema de base que, do meu ponto de vista, acaba por tornar estas discussões interessantes mas, se calhar, inconsequentes :) E isso é resumido de uma forma brilhante por Kieran Egan (1997:10): "In the case of the modern school, three distinctive aims have attended its development. It is expected to serve as a significant agency in socializing the young, to teach particular forms of knowledge that will bring about a realistic and rational view of the world, and to help realize the unique potential of each child.
These goals are generally taken to be consistent with one another, somewhat overlapping, and mutually supportive. (…) However, each of these aims is incompatible in profound ways with the other two. As with prisons' aims to punish and to rehabilitate, the more we work to achieve one of the schools' aims, the more difficult it becomes to achieve the others".
O livro de onde esta citação foi retirada é este: http://www.amazon.com/Future-Education-Reimagining-Schools-Ground/dp/0300110464


De jesus-anabela a 29 de Fevereiro de 2012 às 16:57
Olá!

Pois!...
Eu diria que as finalidades educativas são propostas no domínio do ideal, ou se quisermos da utopia. E o nosso propósito será irmos "tateando" as formas que melhor servem esses ideais. Egan deu o seu contributo ao estimular uma visão mais clara dos paradoxos...


De jesus-anabela a 29 de Fevereiro de 2012 às 16:58
E o nosso contributo, qual poderá ser???


De artur-ramisio a 1 de Março de 2012 às 01:29
Viva!
Eu diria que os três objectivos da dita escola moderna contêm tudo o que é essencial e que, embora distintos, não são incompatíveis: ser espaço importante para a socialização dos jovens, o que pressupõe a formação de pessoas no seu todo (princípios e valores humanistas e democráticos, sentido crítico, etc.), tornando-as capazes de serem interventivas na sociedade (no lugar de indivíduos formatados para a resignação e para se convencerem de que são autónomos); ser espaço para a aquisição de conhecimentos específicos, e ser espaço para que cada criança/jovem se conheça a si própria e ganhe auto-estima e confiança.
Ora, são objetivos desejáveis e perfeitamente compatíveis. A incompatibilidade está no desfasamento entre o discurso e a prática. Se a escola (sistema educativo) apesar das teorias com que enfeita o discurso incrementa práticas para mostrar resultados sem substãncia, nenhum dos três objetivos é sequer alcançado, ou se aposta unicamente na formação específica e relega para segundo plano a socialização, a formação cultural e as especificidades de cada aluno, obviamente que pode formar bons executantes de determinadas tarefas, mas com prejuízo da socialização e da autonomia de cada um.
Ou seja, na minha opinião a incompatibilidades só existe quando estes três objetivos não se trabalham em conjunto. São interdependentes e completam-se. Nenhum se alcança cabalmente sem os outros. A escola não deve ter como principal objetivo os resultados as medidas de aprendizagem, até porque esses mesmos resultados poderão ser muito melhores se todos os três objetivos forem trabalhados em simultâneo.


De patricio72 a 1 de Março de 2012 às 12:25
Concordo com esta afirmação "Teaching technology is not abaout handing a laptop to a student". Exige dos professores papéis diversos como os de guia, de facilitador, de motivador de alunos que devem ser incentivados a um papel mais ativo na construção do seu próprio conhecimento.

O papel "inovador" que o professor deve assumir permite-lhe lidar, ou pelo menos fornecer alternativas para gerir a variedade de novas ferramentas e suas implicações na forma como a aprendizagem influenciada.

Não esquecer que o objetivo primeiro é preparar pessoas que no futuro vão lidar com uma realidade que temos uma noção da sua evolução mas estamos longe de saber a sua extensão.


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