Cabendo ao nosso grupo (1) uma atenção focalizada no papel do professor/formador e nas mudanças que se operam ao nível cognitivo e da sua função pedagógica, propomos agora uma reflexão sobre a forma como se deve integrar e utilizar a tecnologia em contexto de ensino e aprendizagem. No fundo, convidar-vos a juntarem-se a este “emaranhado” interessante de ideias/problemas que este vídeo suscita, tais como:
- que perfil a adotar perante alunos com necessidades tão diversas?
- como orientar os alunos para aprendizagens significativas ?
Parece-nos que uma das soluções passa pela estratégia do “Project-based learning”, a partir do qual se tenta estimular situações reais/simuladas de contextos de aprendizagem de índole construtiva e colaborativa, intra e inter grupos, colocando o aluno/formando no centro do seu processo de aprendizagem.
Isto levanta a questão da concessão de autonomia e liberdade de ação ao aluno mas, por outro lado, preconiza igualmente um perfil do professor muito diferente daquele que se continua a difundir. Mas como formar/atualizar os professores no sentido de assumirem o papel do ”inovador”, “iluminador”, “motivador”, “facilitador”? Que novas competências a adquirir enquanto professor do século XXI?
Vou correr o risco de divagar neste comentário, contudo há uma questão fundamental de que nunca se fala e que tem a ver com a visão do que é a aprendizagem. A aprendizagem é, no meu ponto de vista, uma mudança neuronal que ultrapassa o domínio cognitivo. A aprendizagem implica a mobilização de todos os sentidos e uma conceção multidimensional de inteligência. Há alunos que aprendem melhor movendo-se, há alunos que aprendem melhor cantando ou ouvindo música, há alunos que aprendem melhor quantificando, outros escrevendo e outros inter-relacionado-se socialmente. Mas o mais interessante é que os professores, também são seres humanos e os respetivos cérebros providos de plasticidade. Na minha experiência pessoal, tenho descoberto como é divertido em, certos contextos, criar situações em que me envolvo com os alunos em contextos de ensino-aprendizagem, em que todos aprendemos. Talvez o primeiro passo, seja partindo de uma realidade do dia-a-dia (contextualização), o professor encare as suas "fraquezas" como uma mais-valia e um exemplo para os alunos. É bom aprender e ficar espantado com o que se descobre em trabalhos de projeto, articulados, com o núcleo rígido de conceitos exigidos nos programas. O papel inovador terá de ser aquele que rompe com o papel tradicional do professor. O professor atual deverá dominar um conjunto de saberes científicos, tecnológicos e didáticos que lhe permita operacionalizar a relação de ensino-aprendizagem com os alunos. Contudo deverá ter a abertura e a coragem para se envolver num processo colaborativo com os alunos em que possa aprender e cocriar conhecimento com eles. Na Biologia e na Geologia é fácil. Não sei como será noutros campos do saber.