Domingo, 26 de Fevereiro de 2012

 

Os livros digitais estão a ganhar terreno e a começar a fazer parte do quotidiano de algumas escolas (ver o exemplo do caso de França em que foram distribuídos iPads aos alunos do 6º ano).

Por outro lado é-nos descrita uma outra situação educativa em que é utilizada a biblioteca itinerante designada por Biblioburro.

Em jeito de provocação, e como último post , o grupo 1 partilha com todos, as seguintes questões:  

Será que a eficácia da aprendizagem depende da quantidade de tecnologia utilizada/distribuída?

Qual é o papel do professor nestas duas realidades distintas?

Qual a importância da criatividade no processo de ensino aprendizagem?

 



aldinacrodrigues às 23:57 |
editado por lpedro em 27/02/2012 às 10:10link do post | comentar
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13 comentários:
De Rui Soares a 27 de Fevereiro de 2012 às 15:42
Não creio que a qualidade das aprendizagens esteja diretamente relacionada com a quantidade de tecnologia existente. É possível que os alunos mudem conceptualmente, organizando e processando informação com exercícios de papel e lápis. A leitura tanto pode ser feita no ecrã de um computador como num livro em suporte de papel. Para mim a aprendizagem tem muito mais a ver com os desafios que o cérebro enfrenta para resolver problemas. Não é a tecnologia que traz esses estímulos. Quando quero colher cerejas deliciosas de uma parte difícil da copa da árvore tenho de resolver o problema: "como tirá-las dali, sem cair e partir uma perna?". A tecnologia pode facilitar a aprendizagem, pela rapidez de acesso à informação, pela diversidade e quantidade de dados disponibilizados bem como pela facilidade de comunicação e do feedback. Enquanto professor uso a tecnologia como meio e não como fim em si para a aprendizagem. O ideal é integrar a tecnologia no processo de ensino e aprendizagem, facilitando-o através da inovação e não como substituto dos materiais tradicionais e, pior do que isso, usar as estratégias tradicionais usando as ferramentas tecnológicas na transmissão de conhecimentos, limitando-se a ação do aluno a respostas dirigidas e ao treino mecânico para responder "bem" às questões e aos exercícios digitais dados pelo professor. A tecnologia cria novas possibilidades no domínio da criatividade, permitindo recombinações de ideias e construção de conhecimento inteiramente novo. Só professores criativos conseguirão expressar com os seus alunos a importância e as vantagens da criatividade no dia-a-dia e não apenas em contexto escolar. A criatividade respira-se e transpira-se, não é a tecnologia que vai tornar os alunos ou os professores mais criativos. São os alunos e os professores criativos que descobrirão novas formas e possibilidades de usarem a tecnologia em seu proveito para aprenderem mais.


De artur-ramisio a 27 de Fevereiro de 2012 às 16:22
Boa tarde!

O vídeo levanta um conjunto muito importante de questões, entre as quais: por si só as tecnologias resolvem o problema do acesso ao conhecimento? Os livros em papel vão deixar de ser importantes? Qual o papel do professor?
Ora, como o exemplo francês demonstra, “semear” iPads ou computadores portáteis sem outros cuidados inerentes à semeadura não garante que o conhecimento cresça. É preciso cuidar dos conteúdos, em quantidade e qualidade e preparar o "terreno" (professores, alunos...).
Por outro lado, tirar partido das tecnologias digitais não significa necessariamente que se coloquemm de lado outras tecnologias, tais como os livros. É fundamental que os professores conheçam e tirem proveito das tecnologias digitais para o desenvolvimento das aprendizagens, nas quais também se situa a promoção do pensamento crítico em relação às próprias tecnologias, mas a riqueza das estratégias educativas passa, sobretudo, por saber tirar proveito de todas as tecnologias, mesmo das mais antigas. Do mesmo modo que os alunos também ficam melhor apetrechados se souberem buscar e trabalhar informação a partir de fontes diversificadas, entre as quais livros em papel.
Por último, o professor columbiano dá o exemplo do que deve ser o professor do século XXI (ou dos séculos XXII, XXIII...): é a educação das crianças/alunos que está no centro da sua atenção; não tem iPads, nem computadores, nem veículo motorizado, nem sala de aula…, apenas burros e alguns livros, e com estas tecnologias coloca jovens a ler e a sonhar (não será este o significado de aprendizagens significativas?).


De paulo-duarte a 28 de Fevereiro de 2012 às 11:32
Viva,

Antes de mais, penso que voltamos à questão que já discutimos por diversas vezes, o que é a tecnologia por si só? Não é nada. Neste caso parece-me evidente que o facto de existir tecnologia não interfere na qualidade da aprendizagem, quanto muito interfere na forma como se aprende, mas sinceramente parece-me mais importante o conteúdo do que a forma. Sim, aceito e concordo que a tecnologia traz vantagens na facilidade e rapidez de acesso à informação, no caso dos livros digitais introduz ainda a interatividade e pode promover a criatividade, mas um mero livro de papel permite estimular a imaginação que com um livro digital é mais explícita e portanto menos individualizada. Se calhar estou a divagar um pouco, mas em resumo não creio que a quantidade de tecnologia influencie diretamente a eficácia na aprendizagem, acredito mais na eficiência dos métodos de ensino e da relação professor-aluno do que na tecnologia utilizada.
Quanto ao papel do professor este terá de se manter atual, terá de ser um aprendente ao longo da vida para que possa acompanhar a evolução não apenas da tecnologia mas também do próprio sistema educativo e da forma como os alunos aprendem que é diretamente influenciada pelos anteriores e pela sociedade. Pegando no que o Rui chamava de professores criativos, eu acrescentava professores atualizados e professores dispostos a aprender.
Por fim, a criatividade é sem dúvida importante no processo de ensino aprendizagem, mas sinceramente a criatividade já existia muito antes da tecnologia e a sua importância também.


De jesus-anabela a 1 de Março de 2012 às 21:37
Sobre a imaginação Kress (2003) desenvolve um argumento que acho de relevo. O autor considera que no contexto do livro ler significa preenchermos os elementos com significado associado à nossa imaginação. No contexto do ecrã, ler poderá traduzir um tipo de imaginação mais ativa:

"We are already in an era which may be defining imagination more actively, as the making of orders of our design out of elements weakly organized, and sought out by us in relation to our designs." (p. 59)


De Anónimo a 29 de Fevereiro de 2012 às 03:16
Olá a todos.
Concordo que a tecnologia só por si não traz grande vantagem, mas não se pode negar o seu contributo para o desenvolvimento em todos os aspetos da nossa sociedade ocidental. No contexto dos países menos desenvolvidos aquela solução faz sentido. Julgo que temos de considerar o contexto. Penso também que a tecnologia tem uma grande capacidade inerente que é aquela que percepcionamos quando a associamos à ação humana. São inegáveis as vantagens da relação homem/máquina. O homem usa a tecnologia e desenvolve-se em paralelo com ela e, nesse aspeto, penso que ela também é fator estimulante de criatividade, quando se pensa em novas soluções, em economia de custos e de espaços, em novas formas e processos, sistemas, etc.
O papel do professor deverá ser também o de provocar no aluno uma familiaridade com a tecnologia específica da sua área, mas, ao mesmo tempo, proporcionar-lhe a capacide de se interrogar perante ela. Fazer surgir uma sensação de "estranhamento perante...", vê-la como se fosse a primeira vez, para detetar nela os maleficios, os aspetos menos vantajosos e assim provocar escolhas conscientes e fundamentadas.
Penso que o equílibrio, mais uma vez, é fundamental. Não será uma função do professor formar seres equilibrados, autónomos e reflexivos.
A criatividade é fundamental, ainda que às vezes seja necessário criar "rotinas", procedimentos que nos facilitem a vida e melhorem as aprendizagens. A criatividade em si, em geral, não é um fim, é um meio.


De Anónimo a 29 de Fevereiro de 2012 às 03:17
comentário anterior de Fernando Rodrigues


De regina-canelas a 29 de Fevereiro de 2012 às 15:41
Viva!

Não posso deixar de partilhar convosco que este vídeo fez-me recuar à minha infância (com algum exagero, claro) e à biblioteca itinerante que havia na minha terra. Eu também cresci numa zona rural e a única forma de ter acesso a livros (para além dos que tinha em casa) era através da visita da carrinha da Biblioteca Municipal duas vezes por mês. Lembro-me perfeitamente da felicidade que era aquela tarde passada o meio dos livros. Aquele cheiro a papel não é substituível.

Ainda assim, penso que os livros tradicionais e os e-books podem coexistir perfeitamente. Tal como as crianças afirmam no vídeo, os primeiros fazem sonhar e os segundos permitem também o acesso ao mundo da informação. Deixo aqui um link para um vídeo que mostra o primeiro livro interativo para o iPad:
http://www.youtube.com/watch?v=LV-RvzXGH2Y

Em relação aos iPads entregues aos alunos franceses, temos um exemplo semelhante cá – o computador Magalhães. Daquilo que eu conheci quando trabalhei no 1º ciclo do EB, o computador estava a ser encarado como um brinquedo e não como uma estratégia para atingir um fim. Alguns professores só permitiam que os alunos o usassem sexta-feira à tarde e, nessa altura, não davam aulas, como se o ensino não fosse compatível com as tecnologias.

O ideal seria integrar a tecnologia no processo de ensino e aprendizagem, não como substituta dos materiais mais tradicionais, nem como uma “máscara” das velhas estratégias, mas como facilitadora de aprendizagens. A tecnologia é mais uma ferramentas entre as muitas ao dispor do professor, que tal como já foi referido em posts anteriores, tem aqui um papel de ”inovador”, “iluminador”, “motivador” e “facilitador”.

Continuação de bom trabalho a todos.


De regina-canelas a 29 de Fevereiro de 2012 às 16:16

Fui pesquisar e encontrei este estudo de 2010 sobre a utilização do Magalhães, que deixo aqui para quem tiver curiosidade. Os dados apresentados são interessantes.

http://www.gepe.min-edu.pt/np4/?newsId=528&fileName=Relat_rioInqeEscolhinhaProfessores.pdf


De jesus-anabela a 29 de Fevereiro de 2012 às 20:11
Olá!

Em jeito de resposta:

1- Seguramente a eficácia da aprendizagem não é proporcional à quantidade de tecnologia;

2-Será o papel do professor na França com tecnologia digital diferente do professor na Columbia com uma bibilioteca itinerante? Pelos comentários dos alunos em França não se registaram alterações de fundo na aprendizagem pelo uso do ipad.

3-Julgo que a pergunta poderia ser antes "Como estimular a criatividade no processo de aprendizagem?" visto que no presente parece pacífico que a criatividade é importante.

A propósito do "Biblioburro" é absolutamente nobre. E já agora se nos referimos unicamente à atividade de leitura quem prefere ler um livro no ecrã em vez de no papel?


De patricio72 a 1 de Março de 2012 às 11:47
Respondendo às questões aqui deixadas, diria:

A aprendizagem não depende da quantidade de tecnologia, caso contrário não existiria aprendizagem onde faltasse a tecnologia, coisa que aconteceu ao longo dos tempos em que ela pura e simplesmente não existia. O uso que é dado às potencialidades facultadas pela tecnologia é que pode fazer a diferença.

O papel do professor não muda por mudar os meios à sua disposição, mas sim a forma como pode e deve tirar proveito para conceber e facilitar a aprendizagem. O facto de usar um "Tablet" não implica por si só melhor aprendizagem por parte dos alunos, o que é referido na reportagem como uma "certa desilusão" por falta de conteúdos.

A criatividade representa um fator chave no ensino/aprendizagem, daí ser mais "fácil" poder construir conteúdos mais apelativos e motivadores com as atuais ferramentas ao nosso dispor!

De resto este vídeo dá-nos uma boa comparação entre realidades de mundos diferentes que podem não estar tão distantes como as que são apresentadas!


De carlaponte a 2 de Março de 2012 às 11:15
Olá a todos!

É interessante verificar como as nossas "divagações" e perceções ao longo deste e outros posts vão deixando transparecer questões transversais muito pertinentes:
- por um lado, destacar que existem vantagens inegáveis da tecnologia para o contexto de ensino e aprendizagem; fomos capazes de apontar algumas dessas vantagens ( custos, acesso, novas formas de abordagem), mas existe ainda uma certa dificuldade em definir claramente a mais-valia no uso da tecnologia, os contextos educativos em que a tecnologia seja indispensável.
- por outro lado, começa a ficar claro que a tecnologia é apenas um meio, um acessório que não traz necessariamente " a receita mágica" do sucesso automático na eficácia das aprendizagens; destacámos , por diversas vezes, que fatores como a criatividade, o contexto e até o perfil do professor acabam por inteferir mais no resultado das aprendizagens do que a tecnologia em si;

Posto isto, uma pergunta provocatória: então o que andamos a fazer todos num Doutoramento intitulado Multimédia em Educação? Não seria, à partida, para analisar ou até provar que a technologia apresenta mais-valias em contexto educativo? Que todo o processo educativo só tem a ganhar com o uso de tecnologia? Parece que ainda temos um longo caminho de questionamento pela frente... ;)


De jesus-anabela a 3 de Março de 2012 às 12:16
De facto esta pergunta, (o que fazemos num doutoramento como este) julgo, surge-nos a todos nós que estamos na tecnologia educativa. Selwyn (2010) diz algo bastante ilucidativo, com a qual tendo a concordar (as excepções não devem ser apagadas) e que nos deve dar muito que pensar:

"Many of the fundamental elements of learning and teaching remain largely untouched by the potential of educational technology" (p. 66).

Relativamente ao potencial da tecnologia três particularidades parecem-me fundamentais:

1- a sua capacidade de fazer convergir todas as formas de representação e de comunicação de conhecimento;
2- a multiplicidade de versões que possibilita;
3- os processos de automação que podem estar incorporados.

Como podemos recriar o processo de ensino/aprendizagem para fomentar novas práticas:
1- processos e "produtos" que incluam novas formas de representação/comunicação do conhecimento e novas audiências;
2- diversificação das propostas educativas no sentido de possibilitar um trabalho diferenciado com os alunos, diferentes ritmos de trabalho, dar maior relevância às aprendizagens escolares e talvez (?) personalização das mesmas;
3- que funções pode a tecnologia assumir no processo, em diversas vertentes, tais como libertar os professores de atividades "mecânicas" para atividades centradas na recriação do processo de aprendizagem.



De lfaneves a 8 de Março de 2012 às 23:49
Partilho da opinião de alguns colegas e também considero que a quantidade de tecnologia não condiciona a aprendizagem. Julgo que o que muda é o paradigma de interacção entre o utilizador e o conteúdo. Mudam os formatos (de papel para ecrã) mas a informação mantém-se.

O professor continua a sê-lo tendo em atenção que agora o conhecimento é mais acessível, rápido e também volátil. Independentemente do formato, ao professor continuarão a ser requeridas capacidades de transmissão de conhecimento. Agora, ao professor é cada vez mais requerido competências de mediador da aprendizagem.

Por fim, a criatividade pode transformar o regular em interessante, o procedimental em lúdico e com isso melhorar a aprendizagem. A tecnologia para além de permitir o desenvolvimento da criatividade facilita-a. Também sem ilusões importa ensinar a utilizar a tecnologia senão haverá sempre a questão: brinquedo ou ferramenta?


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