Os livros digitais estão a ganhar terreno e a começar a fazer parte do quotidiano de algumas escolas (ver o exemplo do caso de França em que foram distribuídos iPads aos alunos do 6º ano).
Por outro lado é-nos descrita uma outra situação educativa em que é utilizada a biblioteca itinerante designada por Biblioburro.
Em jeito de provocação, e como último post , o grupo 1 partilha com todos, as seguintes questões:
Será que a eficácia da aprendizagem depende da quantidade de tecnologia utilizada/distribuída?
Qual é o papel do professor nestas duas realidades distintas?
Qual a importância da criatividade no processo de ensino aprendizagem?
De paulo-duarte a 28 de Fevereiro de 2012 às 11:32
Viva,
Antes de mais, penso que voltamos à questão que já discutimos por diversas vezes, o que é a tecnologia por si só? Não é nada. Neste caso parece-me evidente que o facto de existir tecnologia não interfere na qualidade da aprendizagem, quanto muito interfere na forma como se aprende, mas sinceramente parece-me mais importante o conteúdo do que a forma. Sim, aceito e concordo que a tecnologia traz vantagens na facilidade e rapidez de acesso à informação, no caso dos livros digitais introduz ainda a interatividade e pode promover a criatividade, mas um mero livro de papel permite estimular a imaginação que com um livro digital é mais explícita e portanto menos individualizada. Se calhar estou a divagar um pouco, mas em resumo não creio que a quantidade de tecnologia influencie diretamente a eficácia na aprendizagem, acredito mais na eficiência dos métodos de ensino e da relação professor-aluno do que na tecnologia utilizada. Quanto ao papel do professor este terá de se manter atual, terá de ser um aprendente ao longo da vida para que possa acompanhar a evolução não apenas da tecnologia mas também do próprio sistema educativo e da forma como os alunos aprendem que é diretamente influenciada pelos anteriores e pela sociedade. Pegando no que o Rui chamava de professores criativos, eu acrescentava professores atualizados e professores dispostos a aprender. Por fim, a criatividade é sem dúvida importante no processo de ensino aprendizagem, mas sinceramente a criatividade já existia muito antes da tecnologia e a sua importância também.
Sobre a imaginação Kress (2003) desenvolve um argumento que acho de relevo. O autor considera que no contexto do livro ler significa preenchermos os elementos com significado associado à nossa imaginação. No contexto do ecrã, ler poderá traduzir um tipo de imaginação mais ativa:
"We are already in an era which may be defining imagination more actively, as the making of orders of our design out of elements weakly organized, and sought out by us in relation to our designs." (p. 59)