Quinta-feira, 17 de Fevereiro de 2011

O Grupo do Enquadramento tem trabalhado no sentido de agrupar um conjunto de pressupostos válidos para esta UC a criar. Como o texto ainda está numa fase muito embrionária, optamos por seguir o repto e publicar aqui algumas linhas que temos seguido, não publicando já na wiki.. Gostariamos também de fazer notar desde já que muito do que temos lido tem vindo comprovar aquilo que o senso comum já ditava.

Partimos de uma primeira análise geral do enquadramento legal e institucional das UC nos modelos de curso que existem em Portugal para formar professores. Dessa leitura da realidade saiu a reorientação já divulgada e comentada. A legislação que enquadra estes cursos é o Decreto-Lei nº 43/2007 de 22 de Fevereiro.

De seguida, concentrando-nos no core do assunto, demos início a um processo de revisão bbliográfica que permitiu, até agora, definir vários pressupostos que julgamos poder ficar como enquadramento e ponto de partida para este trabalho:

i) a relação do ser humano com o conhecimento mudou com a revolução digital e essa mudança acelerou vertiginosamente com o advento da web 2.0 e a mudança de paradigma que lhe está associada (nativos digitais; new millennium learners - 21st century skills; conectivismo). Daqui deriva a necessidade de identificar novas competências que a escola deve poder treinar e a evidência de que a tecnologia permite valorizar e estimular essas competências.

ii) a escola é um local onde, por excelência (e obrigação), o ser humano deve confronar-se com o conhecimento. As evidências da investigação mostram que a Escola não tem sido capaz de seguir esta mudança de paradigma de forma consistente (estudos sobre o uso de ferramentas, em Portugal e no estrangeiro; Relatório: A Retrospective on Twenty Years of Education Technology Policy; etc)

iii) Os professores são um elemento absolutamente essencial para que a Escola possa fazer essa adaptação. Vários estudos mostram que os professores, por várias razões, entre as quais se destaca a sua formação, inicial e contínua, têm sido pouco activos (quando não agentes conservadores) na busca dessa mudança; Os estudos também mostram que é pela formação mais sistemática que se pode alcançar a confiança que levará à mudança. No Relatório Competências TIC: Estudo de Implementação (2008) fazem-se, a este respeito, algumas recomedações:

"Recomendação 3. Considerar os professores, todos os professores e educadores, como agentes determinantes do processo de inovação e mudança

(...) Sendo os professores responsáveis pelo percurso de aprendizagem dos alunos, do pré-escolar à universidade, não faz sentido que se excluam alguns deles da formação e certificação de competências em TIC. Assim, esta deve ser alargada a todos, independentemente do grau em que ensinam.

Recomendação 4. Promover a articulação entre a formação inicial e a formação contínua de professores

Tomar a formação como o continuum que o conceito “aprendizagem ao longo da vida” faz pressupor, implica considerar a articulação e a continuidade entre a formação inicial e a formação contínua. Não se
compreende, assim, que a formação inicial de professores não prepare o professor para a utilização pedagógica e didáctica das TIC no seu trabalho na escola e na sala de aula.
Não se pode compreender que o pessoal docente, quer no âmbito da sua actividade educadora quer no quadro do ensino disciplinarmente orientado, desconheça as potencialidades, limites e riscos da utilização das TIC pelos alunos. Nessa linha, consideramos indispensável o estabelecimento de parcerias entre o Ministério da Educação e as instituições do ensino superior, incidindo sobretudo na formação de formadores e na investigação dos processos de inovação e mudança."

iv) Os cursos existentes para formação de professores não incluem (ou incluem pouco) UCs desta área. Estamos a analisar ao detalhe os planos de estudos dos cursos de formação de professores (ao nível de mestrado, pelas razões já apresentadas) e verifica-se que:

a) uma parte considerável destes cursos não tem UC da área tecnológica;

b) os que as têm são maioritariamente cursos para formação de professores de 3.º Ciclo e Ensino Secundário.

(É possivel perceber já, nos cursos da UA que se encaixam no grupo b), uma preocupação muito próxima da que move este trabalho.  UC como esta devem ser consideradas com atenção, já que incluem muito daquilo que julgamos pode vir a ser o conteúdo de uma proposta com a que se pretende. Este esforço, contudo, não é acompanhado na maioria das Instuições que estamos a analisar).

É então importante perceber por que razões os cursos direccionados para formar pessoal docente (especialmente para a faixa K0 to K12) não incluem nem discutem estas questões.

 

Grupo de Enquadramento




2 comentários:
De rosa-brigida a 17 de Fevereiro de 2011 às 21:13
Enquadramento internacional, nacional e institucional. Gostei :)


De lpedro a 17 de Fevereiro de 2011 às 22:46
Parabéns pela reflexão. Só para dizer alguma coisa, muita atenção à utilização do conceito de nativo digital :). Para além de ser uma perspectiva redutora da relação entre as pessoas e a tecnologia é, do meu ponto de vista, um ponto/pressuposto de partida para muitas medidas inqualificáveis que têm sido tomadas ( e para outras que não têm sido tomadas também).


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